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| Tick tack tick tack |
Hoje sento-me aqui sem metade do que tinha. A cadeira já não tem encosto, as pernas chilincam só com o meu peso. A almofada, essa ai é a única que ainda suporta o meu interminável e indigerível peso. Sinto-me à parte. Não tanto como os dias de ontem, mas sinto. Os meus ursinhos de peluche, os meus bonequinhos do meu quarto, transformaram-se, mudaram. Fartaram-se da minha cama, deixaram-me sem se despedir. Ás vezes, mandam pedras à janela; eu corro, eufórica como uma criança corre por um chupa-chupa, mas em vão... Demorei demasiado tempo, eles não esperaram; Choro. Agora já não. Não choro mais.
A minha cama está vazia. Novos peluches tentam trepa-la, mas sao muito fracos. Falta-lhes força, sonho, alma. A escadaria é demasiado alta, com escadas demasiado estreitas, com um corrimão demasiado escorregadio. Sou má. Bastava cortar as escadas pela metade, mas nao. Nao quero. Desiludo e sou desiludida. Mas hoje é diferente.
Quue quue natura, e vais entender. Olho, viro o pescoço, olho novamente. É mesmo ele; um dos meus peluches perdidos, está ali. Ali no canto, na porta. Pego nele. Abraço-o. Tenho tantas memórias. Um dia saltas-te da minha cama, fugis-te sem olhar para trás, mas já chega. Hoje levanto-te, coloco-te na minha cama. O passado já lá vai, e agora sorriu.
O tempo nao volta atrás, é certo, mas quero conserta-lo, repara-lo.
Eu nunca esqueço o nome de um velho amigo peluche.

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